A inflação costuma ser vista como o vilão silencioso do orçamento, mas a verdade é que há diversas visões sobre o que a provoca — e entender essas visões é o primeiro passo para proteger o seu patrimônio.
🧠 As diferentes escolas econômicas e suas explicações
- Keynesianos: acreditam que a inflação decorre de excessos na demanda agregada. Ou seja, quando as pessoas e empresas estão gastando muito, mas a produção não acompanha esse ritmo, os preços sobem.
- Monetaristas (como Milton Friedman): defendem que “a inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário”. Ou seja, imprimir dinheiro demais, sem aumento correspondente na produção, inevitavelmente gera inflação.
- Estruturalistas (com foco na América Latina): argumentam que, em países em desenvolvimento, a inflação é resultado de estruturas produtivas frágeis, gargalos logísticos e dependência de importações.
Todas essas escolas trazem contribuições válidas — e a realidade é que duas explicações se complementam com clareza e praticidade: a ótica das políticas macroeconômicas e a expansão monetária.
1️⃣ Políticas econômicas: o freio e o acelerador da inflação
A política econômica tem instrumentos para estimular ou frear a atividade econômica. Vamos simplificar:
📈 Política Expansionista
Quando o país está em crise ou recessão, o governo pode:
- Reduzir os juros (Selic)
- Aumentar os gastos públicos
- Incentivar o crédito
Isso aquece a economia. O consumo aumenta, a produção tenta acompanhar, e eventualmente, os preços sobem. É como pisar no acelerador.
📌 Exemplo prático:
Durante a pandemia (2020), o governo liberou auxílio emergencial, reduziu os juros e facilitou crédito. Isso deu fôlego à economia, mas contribuiu para a inflação nos anos seguintes.
📉 Política Contracionista
Quando a inflação está alta, o governo faz o oposto:
- Aumenta os juros
- Reduz incentivos
- Recolhe dinheiro da economia
Isso desestimula o consumo e segura os preços. É como puxar o freio de mão.
📌 Exemplo prático:
Entre 2021 e 2023, o Banco Central elevou a taxa Selic de 2% para 13,75% ao ano para conter a escalada inflacionária.
2️⃣ Expansão monetária: uma verdade de longo prazo
A segunda explicação também está correta — a emissão excessiva de moeda realmente tem impacto inflacionário, especialmente no longo prazo.
💸 O que é expansão monetária?
É quando o Banco Central aumenta a quantidade de moeda em circulação na economia, seja por meio da compra de títulos públicos ou financiamento de gastos do governo.
📊 Comparativo real:
Entre 2008 e 2020, os Estados Unidos mais que triplicaram sua base monetária com políticas de “quantitative easing”. A inflação permaneceu controlada até 2021.
Mas quando veio a pandemia, com emissão recorde de dólares, a inflação saiu de 1,4% ao ano (2020) para 7,0% (2021) — o maior salto em décadas.
📌 No Brasil:
- A base monetária saltou de R$ 250 bilhões em 2006 para mais de R$ 1,1 trilhão em 2023.
- No mesmo período, a inflação acumulada (IPCA) foi de 140%, mesmo com alguns anos de controle.
Esse descolamento mostra que a emissão monetária leva tempo até se refletir nos preços, mas quando chega, o impacto é profundo.
🔍 Conclusão: O que, de fato, causa a inflação?
A inflação é multifacetada. É como uma febre: pode ter várias causas, mas o termômetro é sempre o preço.
- No curto prazo, ela é movida pela demanda e pela política econômica.
- No longo prazo, é o excesso de dinheiro no sistema que corrói o valor da moeda.
Portanto, ambas as visões estão corretas. A sabedoria está em entender quando cada uma entra em ação — e como se proteger de ambas.
